Entrevista Digital:Conrado Adolpho Vaz
Conrado Adolpho é publicitário digital, palestrante, consultor e especialista em estratégias de marketing na internet. Diretor da Publiweb Marketing Digital, é formado em marketing e pós-graduado em economia. É autor do livro “Google Marketing”, o livro nacional de marketing mais vendido do país em 2008.
Conheça um pouco mais sobre Conrado Adolpho em uma entrevista exclusiva que ele concedeu ao Blog ADM Marketing Digital.
1.Você poderia nos falar sobre a sua experiência em Marketing Digital:
Inicialmente, é importante ressaltar que antes de descobrir o marketing digital, descobri a internet como fenômeno social. Sempre me encantou o poder que a web tem de planificar o mundo, como diz Thomas Friedman em seu best-seller. A capacidade que a internet nos traz de democratizar o conhecimento, desintermediar as transações e gerar uma disrupção na economia atual baseada em escassez para um nova economia baseada na abundância. Foi isso que me atraiu inicialmente na internet - a capacidade de mudar o mundo.
Depois de descobrir a internet como fenômeno social comecei a estudá-la como ferramenta de melhor distribuição de renda uma vez que renda, atualmente, é informação, e informação é o motor da internet. Isso naturalmente me levou para o marketing digital, como uma particularização da teoria econômica por detrás da rede.
Uma vez que estava estudando o marketing digital, sendo formado em marketing e pós-graduado em economia, fundei uma agência de marketing digital chamada Publiweb. Com a agência sempre busquei auxiliar empresas de todos os portes a desenvolverem-se melhor por meio de ferramentas interativas. Iniciei esse trabalho quando, no Brasil, a internet ainda era uma grande promessa, mas não uma realidade, há 5 anos.
Atualmente, todos sabem que a Internet não é um modismo, é uma poderosa ferramenta. Uma maneira de aumentar sua parcela de mercado frente à enorme velocidade com que as coisas acontecem.
Webmarketing, ou, como prefiro, marketing digital (web é a internet pelo computador, somente. Excluem-se daí os celulares - digital abrange muitas outras ferramentas para as quais a internet irá migrar, como celulares e tvs digitais) é para todo tipo de empresa.
A Internet não é mais uma mídia como muitos dizem. Internet é um ambiente em que pessoas se comunicam, se divertem, se informam e compram. Falar que a internet é um ambiente, e não uma mídia, faz com que ela tenha a mesma capacidade de absorção de empresas do mundo offline - absorção total.
A Internet não é mais uma mídia como muitos dizem. Internet é um ambiente em que pessoas se comunicam, se divertem, se informam e compram. Falar que a internet é um ambiente, e não uma mídia, faz com que ela tenha a mesma capacidade de absorção de empresas do mundo offline - absorção total.
Assim como empresas micro e pequenas empresas, a médias e grandes estão no ambiente offline, também podem estar no online. O marketing digital é só uma consequência disso. Portanto, o marketing digital é talhado tanto para empresas pequenas quanto para empresas grandes.
Não entende. A encontrabilidade é um conceito tão abstrato quanto o próprio conceito de marketing é. Para pensarmos no porquê da necessidade da encontrabilidade temos que pensar primeiramente na pulverização do mercado atual. Há tantos nichos, um mosaico de minorias espalhados pelo espaço, que não se torna mais possível mirar em todos.
Uma teoria que desenvolvi junto a um outro profissional, Raphael Feliz, aborda o grau de atividade do consumidor (se quiser saber mais, há um artigo meu no site Mundo do Marketing sobre isso). Essa teoria mostra que o consumidor hoje é muito mais ativo do que era há anos atrás. Isto faz com as empresas possam aproveitar tal atividade do consumidor por meio do conceito de encontrabilidade. Aproveitar-se desse grau de atividade só é possível se as empresas se tornarem mais fáceis de serem encontradas do que suas concorrentes.
A corrida não é mais sobre quem anuncia mais, mas sim, quem é encontrado primeiro por meio de um buscador ou citações e opiniões em redes sociais. É um conceito que se traduz facilmente por meio do marketing de buscas, mas traz em si muito mais ideias e conhecimentos a respeito do consumidor.
Sim. A lógica da internet inverte a lógica tradicional da economia da escassez. Antes era muito difícil ser um empreendedor com pouco capital porque os recursos sempre foram limitados, logo, só quem tinha capital o suficiente para pagar mais por um recurso o obteria. Entenda por recurso uma página de revista, um anúncio de jornal, um ponto comercial.
Com a internet, porém, temos a abundância em termos de recursos baseados em informação. O valor para se ter um espaço no ambiente interativo é próximo de zero. É o capital para se investir em uma hospedagem de um site, ou ainda, ter um blog gratuito. O recurso de divulgação é também barato o suficiente para ser comprado por qualquer um. Tal recurso pode ser um anúncio em que se paga por clique, interagir com consumidores em um fórum ou em uma rede social.
Na economia da informação, cada vez mais o capital é a própria informação. Se um empreendedor souber trabalhar bem com a nova lógica baseada em bits, ele poderá ser um grande empreendedor aplicando muito pouco capital em seu negócio.
O mérito do livro foi muito devido a dois fatores, primeiramente, à falta de literatura nacional no mercado, o que naturalmente gerou uma sobre-demanda pelo livro. Com um maior número de autores escrevendo sobre o tema, isso tende a diminuir e as vendas tendem a se pulverizar entre as outras obras. Fico feliz por ter, de alguma forma, aberto espaço para esses autores provando que tal literatura é muito demandada pelo mercado.
O segundo motivo deveu-se à divulgação que os próprios leitores fizeram na internet. O boca-a-boca gerado pelo livro foi o principal motor para que ele fosse tão vendido.
Estamos vivendo uma era de turbulências e crises de identidades corporativas. Livrarias começam a vender filmes por streamming (Saraiva Digital), operadoras de telefonia provendo acesso à internet junto com provedores de acesso TV fechada, mecanismos de busca entrando no mercado de publicidade, jornalistas se transformando em veículos via Twitter. Todo mundo hoje invade o espaço de todo mundo. O problema é que muitos desses players não tem muita consciência de como fazer o trabalho do outro.
Não sei se é possível, uma vez que tal crise de identidade corporativa já começou, impedirmos que continue. Certamente passaremos por um período de perda de qualidade e empresas fazendo coisas demais, para depois cairmos no que Gartner chama de calha da desilusão, para somente a partir daí chegarmos a um equilíbrio e uma definição de papéis.
Muitas empresas quebraram e muitas surgirão e se tornarão impérios a partir do nada. O capital hoje é muito volátil. Passa de uma mão para outra muito rapidamente. Na época em que estamos, o cenário mudou, mas as regras, não. Isso irá gerar muita confusão e dúvidas. Só o tempo dirá o que de fato irá acontecer com tais empresas.
Cada vez mais. Costumo dizer, porém, que se Roma caiu, não há império sobre a Terra que sobreviva eternamente. O Google certamente sabe disso e por isso inova o tempo todo e põe tal questão como estratégica. Caso a empresa não se reinvente a todo momento, não consegue sobreviver ao tempo. Por enquanto, porém, o Google e seus diversos sites, que detém um terço do tempo de navegação do brasileiro, é uma potência que não pode ser desprezada. O mantra é "estou no Google, logo existo".
O treinamento dará todos os passos que uma empresa deve seguir para que tenha sucesso na internet, desde pesquisar o seu mercado até mensurar os resultados de suas ações. Serão 8 horas do treinamento mais intenso e aprofundado do segmento. Essa será a terceira edição e os participantes que assistiram aos anteriores aumentaram o faturamento e a lucratividade de suas empresas em pouco tempo, o que prova que o treinamento paga-se facilmente.
Há participantes, inclusive que fizeram as duas primeiras edições e irão voltar para fazer essa mais uma vez. Para não perderem nada.
O treinamento falará de forma prática, utilizando muitos exemplos, como que uma empresa deve atuar de modo a aumentar seu tráfego por meio do Google, fidelizar seu cliente através de e-mail marketing, gerar uma imagem mais sólida de credibilidade a partir de um trabalho sólido em redes sociais, como construir seu site com ferramentas persuasivas para aumentar a taxa de conversão de visitas em vendas e mostrará como mensurar resultados por meio do Google Analytics para ajustar suas estratégias para as próximas ações de marketing digital.
9. Qual a sua sugestão para o empresário que tem como objetivo ter um ação de marketing digital vencedora?Existem muitas sugestões, mas a principal é aprender profundamente a trabalhar com o Google e suas ferramentas. É preciso saber pesquisar hábitos de consumo dos clientes, mas também saber como que um site pode se colocar na primeira página do Google para captar tais consumidores. É preciso saber montar sua "plataforma interativa de negócios", que é como eu costumo denominar sites para tentar diferenciar tal plataforma de um site "cartão de visitas".
É preciso que o empresário entenda como o capital hoje é intelectual e não tanto monetário. A informação manda na economia e isso é uma vantagem para aqueles que compreenderam tal lição.
É importante saber contratar um fornecedor que entenda de fato trabalhar com internet. Vivemos em uma época em que o ruído é tão grande que se torna difícil reconhecer quem é o profissional e quem é o amador. O empresário tem que saber conversar de igual para igual com a sua agência online, senão corre o risco de não ter o seu trabalho feito com toda a qualidade que deveria.
Muitas agências são muito amadoras. Entendem de tecnologia, mas não entendem de marketing. Quando entendem de marketing, não entendem de conteúdo (parte fundamental da internet hoje). Quando entendem de tecnologia e marketing não entendem o que significa de verdade a tal da "web 2.0" e apenas fingem que trabalham com ela.
É preciso que o empresário entenda o conceito por trás da Internet e porque a lógica atual está invertida com relação à dita velha economia. Quem puder ler o meu livro, Google Marketing, deve fazê-lo, pois tenho certeza de que ele ajudará o leitor a se situar melhor nesse novo mundo.
Espero que tenha ajudado.
Grande abraço.
Conrado Adolpho
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1 comentários:
Prezado Conrado,
gostaria de agradecer a sua disponibilidade e atenção em nos conceder a excelente entrevista.
quero dizer que o seu livro, Google Marketing,é o meu livro de cabeçeira.Vejo, dentro do meus humildes conhecimentos o seu trabalho como pioneiro e de extrema qualidade. A referência para o setor no Brasil.
parabéns por,além de ser um empresário de sucesso, ser um líder para o nosso setor.
obrigado,
Alexandre de Mattos
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